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Quatro-Quatro-Dois



Segunda-feira, 03.09.12

Uma incrível despedida

Há algumas horas, tudo me corria bem. Estava de férias, o sol brilhava e o Porto tinha conseguido manter todas as suas estrelas, depois de um atribulado mercado futebolístico, em que os jornais desportivos se fartaram de vender três ou quatro plantéis do meu clube. Só que, afinal, já nem a chegada de Setembro é sinal de descanso para os adeptos portugueses e, hoje, ao final da tarde, recebo em choque a notícia de que o Hulk tinha sido vendido ao zenit. Notícia que, confesso, não está a ser de fácil absorção.

É certo que os valores do negócio são de perder a cabeça, mesmo que cerca de um terço da soma paga pelos novos-ricos russos se perca em percentagens de terceiros e nas comissões destes e daqueles. É evidente que fazer um negócio deste calibre num período de crise económica e em que os bancos fecharam as torneiras para os clubes é um feito notável. Contudo, eu sou adepto de futebol, não sou contabilista. Prefiro títulos a euros e acho mais importante ter jogadores como o Incrível a jogar de azul e branco do que reduzir o passivo do clube. Podem achar que é irracional, mas eu prefiro pensar que é paixão de um adepto de futebol. 

Com a partida de Hulk, o Porto (e o futebol português) perde o seu melhor jogador e talvez o único que decidia jogos sozinho. Quando o futebol a sério regressar (já agora, de quem é esta peregrina ideia de fazer o campeonato parar três semanas?), irei ao Dragão, mas um bocado menos motivado, pois sei que as probabilidades de ver momentos únicos serão muito mais reduzidas, agora que o jogador mais desiquilibrador que me lembro de ver jogar no Porto partiu de malas e bagagens para o frio de S. Petersburgo. 

E pouco me consola a venda do Witsel, que representa a cereja no topo do bolo da política de transferências do clube do Ricardo, provavelmente a mais surreal de sempre de um grande português. Parece-me que o mestre da táctica quer passar a jogar com 5 extremos e 5 pontas-de-lança, mas de certeza que estou enganado e que o Matic e os míudos da B são mais que suficientes para segurar o meio-campo dos vermelhos.

Porém, com o mal dos outros (especialmente, com o mal destes outros) posso eu bem e não é isso que me vai fazer esquecer que, a partir de hoje, o Incrível vai deixar de jogar no meu grande clube. Já sei que me vão dizer que o Porto não é nenhum jogador e que já provámos que conseguimos manter-nos vitoriosos independentemente da saída de qualquer atleta. Tudo isso é verdade e talvez daqui a algum tempo eu possa pensar mais serenamente e concluir que, no fim de contas, a saída do Hulk foi benéfica para o Porto. Mas, neste momento, e a quente, a paixão de adepto ainda fala mais alto e não consigo deixar de achar que este foi um mau dia para o meu clube.

Ainda assim, as minhas últimas palavras têm de ser para o Hulk, que mostrou, em mais de quatro anos de Porto, ser um verdadeiro campeão: obrigado, Hulk! Já tenho saudades tuas...

 

P.S. - Hoje, em Lisboa e no Porto, de certeza que haverá muito boa gente a comer bife do lombo...

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rematado por Johnny às 21:32




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