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Quatro-Quatro-Dois


Domingo, 09.12.12

De Barcelona a Lisboa

 

 

Há uma pequena linha que geralmente separa os clubes do sucesso ou do insucesso. Há quem lhe chame "sorte", ou "karma", ou "destino". Há quem lhe chame "trabalho". Há quem lhe chame simplesmente "hoje era um daqueles dias que o jogo poderia ter 24h e não iríamos marcar".

 

Em Barcelona, o Benfica ficou no lado dos clubes do insucesso. O Barcelona, como quase sempre nos últimos tempos, ficou no lado do sucesso. E o Celtic, fazendo uma profissão de fé às suas raízes irlandesas, teve o que se chama "luck of the irish", com uma pequena ajuda de um penalty inexistente cometido sobre um grego que tem mais cabelo que talento.

 

Em Barcelona, o Benfica demonstrou uma vez mais a sua incapacidade para cair no lado do sucesso no momento chave. Mais facilitado era impossível. O Barcelona apresentou uma equipa de segunda linha (apesar de alguns nessa segunda linha serem facilmente titulares nos planteis dos nossos maiores clubes) e ainda se deu ao luxo de meter Messi...e pouco depois o tirar e ficar a jogar com 10.

 

O Benfica sofreu o efeito "Peseiro" e saiu derrotado pela sorte (ou trabalho) em Barcelona.

 

Não vale a pena pensar "ah se o Rodrigo tivesse passado aquela bola logo ao início" ou "como é que o Maxi falha aquela bola logo ao fim?". A verdade é que o sucesso, este sucesso, trabalha-se. Todos os dias e em todos os momentos. A verdade é que (infelizmente) não acredito que o nosso principal rival português falhasse naquele momento em Nou Camp. E acho que vocês também não.

 

Se me perguntarem porquê eu não sei...

 

A Liga Europa é o destino justíssimo para uma equipa que teve bastantes percalços (demasiados) nesta caminhada na Champions League. Aceito-o sem pestanejar.

 

O que não consigo aceitar, é que após um jogo miserável (tirando breves momentos no início do jogo) do Benfica frente a uma segunda linha do Barcelona, venha o nosso treinador vangloriar a nossa performance. Não aceito porque gosto imenso do Jesus. Não aceito porque vai dar razão aos seus críticos, e no fundo, não aceito porque é simplesmente uma afirmação ridícula e populista.

 

Após esta jornada europeia, chega o jogo mais importante da época para os adeptos. Sim, para mim também é. Não salva uma época, mas é O JOGO. 

 

O Derby com o Sporting é sempre o jogo da cidade, o jogo dos colegas de trabalho, o jogo das namoradas, dos namorados, dos amigos. É o jogo do café todos os dias. Mas infelizmente, para este derby, já os jornais começaram a dar protagonismo a quem não devem.

 

Procurando quem sabe salvar a pele e galvanizar os seus adeptos, a direcção do Sporting resolveu arranjar um problema onde não existe, relativamente ao possível adiamento do jogo em Alvalade. Têm a casa a arder, e resolvem sacudir o problema para cima do Benfica. É uma táctica já anteriormente vista e geralmente dá mal resultado (espero que dê). Na verdade o Sporting encontra-se muito mal entregue a esta gente que semana após semana lá vai dando tiros nos pés... No meio salva-se o treinador Vercauteren, que como bom exemplo de uma sociedade mais desenvolvida, simplesmente não viu qualquer problema na data e hora do jogo. Sintomático...

 

O que espero para amanhã?

 

Espero um Benfica ciente que está num momento superior ao Sporting e espero que vença o jogo. Uma goleada de 1-0 serve perfeitamente. Não será fácil, até porque acredito que alguns jogadores do Sporting estarão galvanizados, mas espero que no Benfica alguém consiga também explicar aos nossos jogadores a importância do jogo de amanhã.

 

Espero que jogue o Salvio e o Enzo e o Luisão... e gostava muito que jogasse o André Gomes. Este rapaz irá muito longe se tiver cabeça e sorte com os treinadores. Infelizmente (como me disse uma amiga há poucos dias) o André não é uma vitória da formação do Benfica... é uma derrota da formação do Porto. Por mim pode ser assim. É apostar em rapaziada desta. Aposto que amanhã sabem o que aqueles 90 minutos significam...muito mais que isso...

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rematado por Ricardo às 18:43

Quarta-feira, 03.10.12

Do jogo de Paços ao jogo dos passes...

Se há Estádio ao qual gosto de ir ver o Benfica é ao velhinho Mata Real. Acredito que não o entendam... Mas é a mais pura das verdades. E só lamento nunca ter lá ido enquanto aquela bancada amovível / permanente (cheia de cadeiras que magoam quem vê a bola de pé) não substituiu o velho peão (no Estoril ainda tive esse prazer)…”

 

Não sei do que gosto mais… Se ver o jogo num sector em que parece que as pessoas estão quase encavalitadas a ver o jogo, se a entrada onde apenas cabem duas pessoas lado a lado (em caso de acidente ou pânico havia de ser bonito…), se as redes, se a casa e o quintal junto à bandeirola de canto no sector visitante. Não estou a ser irónico… Adoro mesmo ir à Mata Real… “É tão mau…mas tão bom!”

 

Vamos ao jogo.

 

O Benfica surgia em Paços obrigado a ganhar. A jornada anterior tinha sido madrasta e dos 3 grandes (e a deslocação do Braga também era difícil, mas estou convencido que o destino do Vitória este ano é lutar para não descer de divisão) tinha o jogo mais complicado.

 

Em campo algumas surpresas. A titularidade “forçada” de Lima pela lesão de Cardozo (daquelas lesões que facilitam a vida aos treinadores…) e uma nova oportunidade (mais uma desperdiçada) para Nolito.

 

Sem grandes invenções e na tática habitual o Benfica entra logo num dos campos mais complicados da primeira Liga (e tire-se o chapéu ao Paços, já que é complicado para todos os grandes… e não apenas para alguns…) a perder, com um golo de Cicero na cara de Jardel. Isto depois da partida ter sido interrompida aos 3 minutos por falha no sistema de iluminação…

 

Depois da péssima exibição de Coimbra haveria pior início?

 

Felizmente, alguém no Benfica percebeu que se calhar até era boa ideia contratar um dos melhores avançados a jogar em Portugal no último dia do mercado e passados 2 minutos, Lima restabelece o empate numa jogada em que Enzo Perez marca um livre (mais uma boa exibição), Jardel (este novo Jardel…) cabeceia e o guarda redes do Paços falha… E quem falha assim em frente ao Lima… Sofre golo.

 

Com oito minutos jogados, pensei que o Benfica iria avançar para uma exibição mais solta e arrancar para um jogo mais tranquilo. Puro engano.

 

O futebol típico do Paços e a desinspiração de alguns jogadores do Benfica foram fazendo o resto, e foi sem surpresa que Jorge Jesus deixou no balneário Nolito (que pouco fez sem ser um passe bem medido para Sálvio) e apostou em Gaitan.

 

O Benfica entrou com outra atitude e outro futebol. Foi pressionando o Paços mas sem conseguir chegar à baliza. Jesus volta a mexer na equipa e a apostar tudo… Troca o trinco (Matic) por um médio mais ofensivo (Carlos Martins) e recua Enzo Perez (extremo, médio centro, e agora trinco…).

 

Cerca de cinco minutos depois o Benfica tem o prémio que merece. E Lima bisa após uma jogada de insistência de Maxi Pereira na área do Paços (a melhor coisa que fez em mais uma exibição muito pouco conseguida).

 

Com o Benfica a liderar o marcador, Jorge Jesus mostra aquela característica tão tradicional do treinador português: bora lá defender o resultado.

Sai avançado (Rodrigo) e entra trinco (André Almeida), acabando o Benfica com três médios centro (Perez, Almeida e Martins) e apenas um avançado.

 

No final do jogo, e mesmo já com fora de jogo assinalado, foi a vez de Artur brilhar e mostrar que entre os postes o Benfica está bem descansado.

 

Vitória merecida de uma equipa de soube procurar a sua sorte e teve atitude muito diferente da de Coimbra.

 

Destaque evidente para Lima, que podia ter marcado mais que 2 golos e que demonstra que um jogador feito e de qualidade raramente necessita de adaptação.

 

Saltemos da Mata Real e do futebol profundo para as noites de Gala da Liga dos Campeões no Estádio da Luz.

 

 

O “convidado” desta noite era a melhor equipa de futebol que alguma vez vi jogar (não me lembro do Brasil de 82 e o Barcelona de Cruyff e o Benfica do primeiro ano do Jesus não chegaram a este patamar…).

 

Alguns dizem que o futebol do Barcelona é chato e está a matar o jogo. Eu acho que o Barcelona está a ir buscar as raízes do jogo… O Barcelona joga o futebol como desporto coletivo, passa a bola entre quase todos os seus jogadores, joga em bloco, procura espaços e quase todos marcam golos. E depois tem Messi, que porventura já é neste momento o melhor jogador de todos os tempos (apenas lhe falta ganhar o Mundial no Brasil).

 

Casa cheia e o ambiente das noites europeias. Deu-me alguma confiança.

 

Jorge Jesus tentou surpreender a equipa adversária, e no onze colocou Bruno César de início (no lugar de Rodrigo) e manteve a aposta da segunda parte de Paços: Gaitan (é Liga dos Campeões e o Argentino é para valorizar).

 

A ideia pareceu boa quando o Bruno César rematou logo aos 3 minutos para uma defesa de Valdez. Procurar espaços e ter bons rematadores de longe.

 

Mas do outro lado está o Barcelona. E naquelas jogadas de playstation marcam golo. Cruzamento rasteiro de Messi do lado esquerdo e Alexis Sanchez na área a faturar.

 

O Benfica não se deixou abater e foi à procura da sorte. Poucos minutos depois, Lima tem uma boa oportunidade, mas não concretiza.

 

Depois foi o costume. O Carrossel do Barcelona e as outras equipas a correr atrás da bola (menos de 30% de posse de bola para o Benfica...)

 

O Benfica bem tentou dar a volta. Jesus trocou Bruno César por Carlos Martins ao intervalo. Se a exibição de Bruno César não tinha sido nada de assinalável, a de Carlos Martins foi talvez a pior que fez no Benfica, a fazer lembrar os seus tempos no lado de fora da Segunda Circular. Péssimo.

 

Sem surpresa, o Barcelona fez o 2-0 aos 56 minutos. Desta vez Fabregas. Mas o arquiteto foi novamente o mesmo: Messi.

 

Nova alteração no Benfica, com Aimar a entrar para o lugar de Enzo Perez (que ontem jogou melhor quando mais descaído…) e desde logo mostrou o seu habitual. Excelentes pés, bons passes, aquela “grinta” de ter a bola … mas nada mais… e esfumou-se em 15 minutos…

 

O rumo do jogo não se alterou e foi sem qualquer surpresa que o Benfica foi derrotado pelo Barcelona.

 

Queria destacar Matic pelo excelente jogo que vez frente ao melhor meio campo mundial e Melgarejo, nem tanto por ter feito um jogo espetacular (que não o foi… já que pareceu amarrado ao trabalho defensivo) mas por ter conseguido, em poucos jogos, que acabasse a conversa da defesa esquerdo. Tem as suas falhas, está em processo de aprendizagem mas a verdade é que tirando o jogo com o Braga, não foi mais por Melgarejo que as coisas não correram bem. E lembrem-se, está a fazer os primeiros jogos como lateral esquerdo na sua vida. Mérito da sua qualidade como futebolista e de Jorge Jesus.

 

E finalmente Jardel. Porque tem crescido de jogo para jogo, porque é um jogador humilde e trabalhador. E porque apesar da qualidade de Luisão, também não tem sido por Jardel que as coisas têm corrido mal.

 

Destaque negativo para a Luz. Era obrigatório apoiar mais o Benfica. Só demonstra que a maioria dos adeptos não foi à Luz para apoiar o seu clube mas apenas para ver o Barcelona jogar contra o Benfica. É sintomático do que se tornou o adepto do clube “grande”… Sintomático e sobretudo triste…Apesar do bonito gesto de aplaudir a saida de Puyol...

 

Foi no entanto com prazer que vi esta equipa defrontar o meu Benfica. É jogando contra os melhores que ficamos melhores, e no final do jogo não acredito que alguém tenha saído da Luz revoltado com os nossos rapazes (no geral...com o Martins podem estar) ou com o treinador.

 

Simplesmente foi frente aos melhores do Mundo e um extraterrestre…

 

Estou convencido que o nosso destino nesta Liga dos Campeões se vai traçar no duplo confronto com o Spartak de Moscovo. Quatro pontos dos seis possíveis deverão ser suficientes para encarar os dois jogos restantes (Celtic na Luz e a deslocação a Nou Camp) com confiança. 

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rematado por Ricardo às 21:53



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